Monday, May 29, 2006

COMENTÁRIOS ÚTEIS A RESPEITO DE WAGNER
Richard Wagner, grande compositor, poeta, dramaturgo e escritor alemão, obteve merecido lugar dentro da historiografia musical por ter revolucionado o mundo operistico libertando a ópera alemã de influências italianas e francesas adotando para isso mudanças como:
- A adoção de uma melodia contínua, eliminando, para isso, áreas, duetos e coros da forma tradicional;
- A eliminação do “grande espetáculo” onde as cenas eram valorizadas e deixava a música para escanteio;
- A voz deixa de acompanhar a melodia, pois esta passa a fazer parte da ação;
- A criação do “Cantor-intérprete”. A partir daí não se leva mais em conta o brilho da voz numa área determinada pois o cantor tem que se preocupar mais com a ação do que com a bela voz;
- É o primeiro compositor a ser também o autor dos libretos, e a partir de sua quarta ópera (O navio fantasma) seus libretos não têm mais inspiração literária como era até então, pois o grande ícone de Bayreuth começou a produzir histórias originais baseadas não numa obra determinada mas em várias fontes diferentes e incorporando,também, suas próprias idéias filosóficas, religiosas e, algumas vezes, políticas.
-Os enredos são baseados na mitologia germânica e não mais nas mitologias gregas e latinas.
Wagner não foi apenas um revolucionário na música e no teatro sendo também na luta pelo seu país, pois estava empenhado na unificação do Império alemão. Com esse objetivo participou, com veemência, da Revolução alemã de 1848 ( a qual toma parte a partir da primavera de 1849) onde houve diversas manifestações populares, revoltas e um movimento por um parlamento nacional eleito que projetasse uma nova constituição defendendo essa questão. Além disso fez diversos comentários referentes à política alemã, devido a tudo isso teve que se exilar na Suíça para evitar sua prisão.
Wagner ofereceu muita coisa ao mundo e é reconhecido por isso, mas devido a algumas atitudes que ele teve em vida, devido a sua forte personalidade, como o ataque exacerbado que fazia aos judeus com o escrito Judaísmo na Música além de outros comentários através de cartas que enviava a alguns amigos ou pessoas influentes dentro da arte, sem falar na infeliz atitude de Hitler (1889-1945) em admirá-lo e por isso colocar sua música como repertório na execução de judeus, homossexuais e ciganos, além de colocar uma área lindíssima de Hans Sachs, personagem principal dos Mestres Cantores de Nuremberg, quando subiu ao poder em 1933, sem contar as comparações de suas atitudes assassinas ás músicas do compositor.Devido a tudo isso Wagner passou a ser visto como cooperador do nazismo mesmo tendo morrido seis anos antes do nascimento de Hitler. Um dos propósitos deste livro é mostrar que Wagner apenas atacava alguns judeus que dominavam o centro cultural alemão e que estariam, sorrateiramente, impedindo o desenvolvimento da típica arte alemã.
Mas antes gostaria de passar uma informação que mesmo para muitos wagnerianos gera dúvidas e questionamentos:
Der Fliegende Hollander – Esta obra costuma ser traduzida de duas formas: O Navio Fantasma ou O Holandês Voador ou Errante, mas nunca, que eu saiba, foi explicado o porquê disso. Hollander significa holandês e Fliegende voador ou errante, portanto forma-se o título “O holandês Voador”. Mas se considerarmos as duas palavras juntas, exatamente na ordem do título da ópera forma-se o epíteto “O navio fantasma”.
Voltando a comentar a respeito do Nazismo explicarei a origem dessa idéia errônea a respeito da obra wagneriana. Tudo teria começado quando o jovem Hitler foi assistir a uma série de apresentações (seis no total) da terceira ópera completa de Wagner, Rienzi, a qual retrata a história de Nicola di Lorenzo, conhecido mundialmente como Cola di Rienzo, um tribuno romano de origem plebéia que desafiou o poder local e logrou com isso o comando de Roma até ser assassinado numa emboscada.Devido às semelhanças de ascensão de tal personagem histórico com a de Hitler e ao emprego que Wagner utiliza em sua versão utilizando desfiles e sinos badalando, procedimentos parecidos utilizados nos regimes facista e nazista, passou para a História que a partir do momento que o ditador alemão apreciou o espetáculo começou a surgir em sua mente as idéias que levaria milhares de pessoas à morte. Ora, esse fato e a grande paixão que Hitler nutria pela obra do compositor a ponto de fazer comparação da obra wagneriana com algumas destruições e ter colocado como repertório, nas olimpíadas de Berlim em 1936, a famosa marcha dos peregrinos da ópera Tannhauser, não pode colocar um dos principais gênios da humanidade, que não apreciou nada disso pois morreu no ano de 1883,ou seja cinqüenta anos antes de Hitler subir ao poder, como cooperador de um período tão sangrento.Se assim consideram então também deveriam condenar, com muito mais razão, Richard Strauss (1864-1949) o qual viveu em pleno período nazista e acatou algumas de suas idéias mas nesse caso os judeus resolveram perdoá-lo, já no caso de Wagner se proíbe, desde a época de criação do Estado de Israel em maio de 1948, qualquer apresentação ou audição de suas obras, algumas figuras, mesmo sendo judias, se esforçam em propagar o trabalho do alemão, como os maestros Zubin Mehta e Daniel Baremboim, o primeiro não é judeu, mas deparam com a resistência do público e dos governos locais, o primeiro, por exemplo, só recebeu vaias do público durante um concerto onde tentou apresentar algumas aberturas do compositor no começo dos anos 80, o segundo teve uma montagem da ópera A Valquíria, com presença do famoso tenor Plàcido Domingo, cancelada devido a um conjunto de assinaturas incluindo populares e membros do Governo, só mais recentemente algumas rádios do país executam obras do velho mestre de Bayreuth. Não podemos esquecer que Ludwig van Beethoven (1770-1827), cuja nona sinfonia, em especial seu grandioso quarto movimento, que é normalmente usada, com muita razão , como forma de união entre os povos, como exemplo podemos citar a famosa comemoração pela queda do muro de Berlim em 1989, ganhando os títulos de patrimônio Cultural da Humanidade e de Hino da União Européia, também foi uma das paixões de Hitler o que prova que a paixão que uma determinada pessoa tenha por algo ou por alguém não pode ser levado muito a sério pois além dessas paixões musicais o ditador alemão apreciava qualquer outra arte de qualidade basta lembrar o grande número de pinturas que o nazismo retirou de seus museus, entre elas a famosa “Dama com um arminho” de Leonardo da Vinci.
Wagner passou essa imagem ao mundo porque em sua época fez enormes ataques à raça judaica,em cartas e no conhecido tratado denominado Judaísmo na Música, mas essas agressões não eram dirigidas a todos os judeus, como normalmente se pensa, e sim a um determinado grupo nacionalista, que formou um Movimento denominado de Sionismo que reinvindicava, de forma exagerada, o restabelecimento de um Estado judaico na Palestina e que também estariam tentando impedir o desenvolvimento da arte na Alemanha pois não sabiam apreciar arte de qualidade e, através de meios precavidos buscavam aos poucos desestruturá-la, ou como dizia Wagner “forças estrangeiras tentando impedir o desenvolvimento da arte”.
Wagner faz esse apelo em uma de suas mais geniais obras denominada Meistersinger Von Nurnberg, sua única comédia, denominada de Drama Satírico pelo compositor, onde ele satiriza o crítico musical Hans Lick, o qual era contra o novo estilo que ele e Franz Liszt (1811-1886) estavam realizando no campo musical e se tornou judeu na época em que começou a criticá-los, provavelmente desta raça sionista.
O grande compositor, nascido em Leipzig, tinha muitos amigos judeus, alguns deles, inclusive, nutriam por Wagner uma admiração sem palavras, um bom exemplo é o famoso regente Hermann Levi, o qual levou para Londres obras como Tristão e Isolda e Os Mestres Cantores de Nuremberg além de manter estreitas ligações com o compositor.
O mundo precisa separar a gigantesca obra desse titã das convicções hitlenianas, pois elas se fixaram na humanidade de uma maneira muito concreta da mesma forma que os povos pagãos se convenceram, devido a peças teatrais realizadas na época, que parodiavam o deus Baco de que ele era uma entidade que vivia embriagado de tanto consumir vinho, mas em realidade vinho, em relação a Baco, tinha a mesma relação com que a Bíblia o relaciona a Cristo e outras figuras, uma relação sagrada e simbólica, mas apesar disso a Lenda preferiu atravessar a História com as convicções transmitidas pelas peças e não com a realidade. A mesma coisa acontece em relação a Wagner, só porque uma figura histórica o admirou em demasia e colocava obras dele para cometer seus crimes não significa relação entre os mesmos.A idéia wagneriana era proteger a Arte do grupo sionista e a idéia hitleliana era extirpar o grupo judeu, como um todo, da Terra.
Quem tem sensibilidade musical sente na obra wagneriana uma profundidade que não pode ser explicada intelectualmente.Como uma manifestação artística tão grandiosa como essa poderia se relacionar com uma das maiores catástrofes da humanidade?
O fanatismo de Hitler manchou a imagem de Wagner e o pior disso é saber que um fato registrado pela História, sendo falso ou verdadeiro, perdura para sempre. Já houve tentativas de mudar essa imagem através de encenações criativas por parte de dois netos do compositor, Wieland(1917-1966) e Wolfgang Wagner(1922- ) mas elas foram insuficientes.
O que se deve tentar daqui para a frente é, pelo menos entre os admiradores da obra do compositor e novos adeptos que desejam entrar neste mundo imenso da obra wagneriana, esclarecer esses pontos e provocar nessas pessoas, que geralmente são formadoras de opinião, uma oportunidade de refletir a respeito, pois muitos wagnerianos apreciam sua obra mas o colocam como um ser humano cruel porque muitas atitudes do compositor levam a essa conclusão, porém existe um lado humano em Wagner pois seu carisma, entre as pessoas mais próximas, era enorme, possuía um magnetismo pessoal muito grande. Um exemplo disso é o caseiro ou um empregado dele, pessoa simples, que quando soube da sua morte ficou revestido de lágrimas.